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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Como Irei a Deus? - Parte 3

"Como pode ser isso?"

"O Filho de Deus porventura dificultou o caminho do pecador quando disse à multidão: 'Vinde a mim, e eu vos aliviarei'?"

"Certamente que não. Ele queria que todos fossem imediatamente a Ele, e naquele momento em que estavam juntos Ele lhes daria descanso."

"Portanto, se você estivesse pessoalmente naquele lugar, quais dificuldades teria encontrado?"

"Nenhuma, por certo. Falar em dificuldades, quando eu estivesse ao lado do próprio Filho de Deus, seria uma insensatez, ou pior ainda."

"O Filho de Deus sugeriu alguma dificuldade para o pecador, ao conversar com a mulher samaritana, sentado à beira do poço de jacó? Todas as dificuldades não foram antecipadas ou eliminadas por estas admiráveis palavras de Cristo: "...tu lhe pedirias, e ele te daria água viva?"

"Sim, sem dúvida. Tudo se resumia em pedir e receber. A transação inteira terminou ali mesmo. O tempo e o espaço, a distância e as dificuldades nada têm a ver com essa questão; a dádiva seguiu-se à petição, corno se fossem causa e efeito. Até esta altura, tudo é muito claro. Porém, desejo indagar: Não existe alguma barreira?"

"Nenhuma, se é que o Filho de Deus realmente veio salvar os perdidos. Mas, se Ele veio para aqueles que estavam apenas parcialmente perdidos, ou que pudessem salvar-se em parte, então a barreira seria infinita. Isso eu admito; de fato, insisto sobre esse ponto.

"Portanto, estar perdido não serve de barreira para quem quer ser salvo?"

"Eis uma pergunta tola que merece uma resposta tola. Quando sentimos sede, isso porventura serve de empecilho para obtermos água? ou o fato de que alguém é pobre serve de empecilho para receber riquezas dadas por algum amigo?"

"Não. A verdade é que a sede me prepara para a água, e a minha pobreza me prepara para as riquezas."

"Ah, sim, o Filho do homem veio não para chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento. Se você não é um pecador completo, então há uma barreira. Mas, caso você seja um pecador completo, então não há nenhuma barreira."

"Um pecador na íntegra! Será que esse é o meu verdadeiro caráter?"

"Não há dúvida quanto a isso. Se você ainda duvida, examine a sua Bíblia. O testemunho de Deus é que você é um pecador completo, e que terá de tratar com Ele como tal, pois os sãos não precisam de médico. e, sim, os doentes."

"Um pecador na íntegra! Bem, mas não deveria eu livrar-me de alguns dos meus pecados, para poder receber alguma bênção da parte de Deus?"

"Não, realmente. Pois somente Ele pode livrar alguém até mesmo de um pecado. Assim sendo, você terá de ir a Ele com toda a sua ruindade, sem importar quão grande ela seja. Se você não é um pecador na íntegra, então, na verdade você nem precisa de Cristo, pois Ele é o Salvador no mais total sentido da palavra. Ele não ajuda você a salvar-se; e nem você pode ajudá-lo a salvar a você mesmo. Ou Ele faz tudo, ou nada faz. Uma meia salvação só serve para aqueles que não estão totalmente perdidos. Ele mesmo carregou 'em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados' (1 Pedro 2:24)."

O que acabamos de descrever foi a maneira como Lutero encontrou a paz e a liberdade de Cristo. A história de seu livramento é muito instrutiva, porque mostra como as pedras de tropeço da justiça-própria devem ser removidas, mediante a plena exibição do evangelho gratuitamente oferecido, e faia das boas-novas do amor de Deus para com aqueles que não são amados e nem São amoráveis; das boas-novas de perdão para o pecador, sem o concurso de dinheiro ou dos méritos humanos - as boas-novas da PAZ COM DEUS, oferecidas é exclusivamente através da propiciação daquele que estabeleceu a paz por meio do sangue de Sua cruz.

Uma das primeiras dificuldades encontradas por Lutero foi que ele pensava que teria de despertar o arrependimento dentro de si mesmo; e então que, tendo conseguido isso, teria de apresentar esse arrependimento como uma oferta pacífica ou como uma recomendação a Deus. E se esse arrependimento não pudesse ser apresentado como uma recomendação positiva, pelo menos poderia servir de apelo para que o seu castigo fosse mitigado.


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Como Irei a Deus? - Parte 2

"Não haverá outra maneira de alguém ser feliz?"

"Nenhuma!" foi a pronta e decidida resposta- "O homem vem buscando algum outro caminho para a felicidade por seis mil anos, e tem fracassado totalmente. E você obteria sucesso?"

"Não, não teria possibilidade alguma; e não quero continuar tentando indefinidamente, Mas, esse favor de Deus me parece algo muito duvidoso; e o próprio Deus parece estar tão distante que não sei para onde voltar-me."

"O favor de Deus não está cercado de dúvidas. Ele e real acima de todas as demais realidades; e Deus é o mais próximo de todos os seres, sendo tão acessível quanto é gracioso e bom."

"Esse favor divino, do qual você fala, para mim sempre pareceu misterioso, e não posso entendê-lo."

"Diga antes que é como a luz do sol que está sendo ocultada de você pelas suas dúvidas."

"Sim, sim, acredito em você. Mas , como poderei deixar para trás as dúvidas e chegar à luz da certeza? Parece ser algo tão difícil, exigindo muito tempo para chegar a concretizar-se.

"Você é quem torna distante e difícil aquilo que Deus fez simples, próximo e fácil."

"Você está querendo dizer-me que não há quaisquer dificuldades?"

"Em certo sentido, há mil dificuldades; mas, em um outro sentido, não há nenhuma."




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segunda-feira, 6 de junho de 2011

O que é o Evangelho?

Catecismo de Heildelberg - Dia do Senhor 6

(Pergunta 18)
Mas, que Mediador é esse que é, ao mesmo tempo, Deus verdadeiro e homem verdadeiro e justo?
Resposta - O nosso Senhor Jesus Cristo,“o qual se nos tornou, da parte de Deus,  sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” [1 Coríntios 1.30].

(Pergunta 19)
Como você sabe disso?
Resposta - Pelo Santo Evangelho, revelado pela primeira vez no Paraíso pelo  próprio Deus. O qual o fez proclamar depois pelos patriarcas e profetas, e prefigurar, como sombras, pelos sacrifícios e  outras cerimônias da lei. Fazendo-o, por fim, ser cumprido por meio do Seu único Filho.

EXPOSIÇÃO
Esta pergunta corresponde-se com a Terceira pergunta do Catecismo de  Heildelberg, onde se pergunta: Como você conhece sua miséria? Pela Lei de Deus. Desta forma aqui, na  Décima-nona pergunta, está escrito: Como você conhece sua libertação? Pelo Evangelho. Havendo,  portanto, falado do Mediador, nós necessitamos falar agora da doutrina que revela, descreve e oferece este Mediador à nós  -- doutrina esta que é o Evangelho. Após falar do Evangelho, devemos, em seguida, falar a respeito da maneira como  somos feitos participantes do Mediador e de suas bençãos --- que é pela fé.
Primeiro, então, nós devemos falar do Evangelho, o qual é. com grande  propriedade, feito para seguir a doutrina do Mediador, e da Aliança: 
1º- Porque o Mediador é o sujeito do Evangelho, o qual ensina quem e qual tipo de Mediador ele é.
2º - Porque ele é o autor do Evangelho. É parte do ofício do Mediador revelar o Evangelho, como se diz: "O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou."  [João 1:18].
3º - Porque o Evangelho é parte da Aliança; e é sempre tomado como sendo ele, a Nova Aliança.

As principais questões a serem discutidas, neste contexto, em relação ao Evangelho, são:
1. O que é o Evangelho?
2. É o Evangelho uma Nova Doutrina?
3. Em  que se diferencia o Evangelho da Lei?
4. Quais são seus efeitos?
5. De onde vemos que o Evangelho é Verdadeiro?

I. O que é o Evangelho?
O termo “Evangelho”  significa:
1. Uma mensagem de alegria, ou uma boa notícia.
2. O sacrifício que é oferecido a Deus por essa boa notícia.
3. A recompensa que é dada àquele que anuncia essa notícia maravilhosa.

No Catecismo de Heidelberg usualmente significa: a doutrina ou alegre notícia de Cristo manifestado na carne, como em "eis que eu trago-vos a boa nova de grande alegria, para vós nasceu hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo, o Senhor" [Lucas 2:10, 11].
As palavras epaggelia e euanggelia tem significados um pouco diferentes. A primeira evoca a promessa de um mediador que estava para vir; a segunda é o anúncio de um mediador que já veio. Essa distinção, contudo, nem sempre é observada; e está mais nas palavras do que coisa em si; pois ambas designam os mesmos benefícios trazidos pelo Messias, de modo que a distinção esta apenas na circunstância do tempo, e na forma do seu aparecimento, como é evidente, das seguintes declarações da Escritura:
"Abraão viu o meu dia, e regozijou-se."; "Ninguém vem ao Pai senão por mim." "Eu sou a porta, se alguém por mim entrar...”; "e sobre todas as coisas o constituiu cabeça da Igreja" "Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente." [João 8: 56;14: 6;10: 7; Efésios1:22; Hebreus 13:8....]

O evangelho é, portanto, a doutrina que o Filho de Deus, nosso Mediador, revelou do céu no Paraíso, imediatamente após a Queda, e que ele trouxe do seio do Pai Eterno; e que promete, e anuncia, em vista da livre Graça e Misericórdia de Deus, a todos aqueles que se arrependem e crêem, a libertação do pecado, da morte, da condenação e da ira de Deus; que é a mesma coisa que dizer que ela promete e anuncia a remissão dos pecados, salvação, e a vida eterna, através e por causa do Filho de Deus, o Mediador; e é através disto que o Espírito Santo opera eficazmente nos corações dos fiéis, acendendo e excitante neles arrependimento, fé, e o começo da vida eterna.
Ou, nós podemos, em conformidade com as questões XVIII, XIX e XX do Catecismo, definir que o evangelho seja a doutrina que Deus revelou primeiro no Paraíso, e depois publicou pelos Patriarcas e Profetas, a qual Se agradou Ele em representar pelas sombras dos sacrifícios e das outras cerimônias da Lei, e que Ele cumpriu através de Seu Filho Unigênito; ensinando que o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, é feito para nós sabedoria, retidão, santificação e redenção; que é o mesmo que dizer que Ele é um Mediador perfeito, expiando pelos pecados da raça humana, restaurando a retidão e a vida eterna a todos aqueles que por uma verdadeira fé são enxertados nEle, e abraçam Seus benefícios.

As seguintes passagens das Escrituras confirmam esta definição que demos do evangelho:
1. “Esta é a vontade daquele que me enviou: que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei até ao último dia."; "E que o arrependimento e a remissão dos pecados deve ser pregado em seu nome, entre todas as nações, começando por Jerusalém."; "A lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo." [João 6: 41; Lucas 24: 47; João1:17]
O texto acima provém da exposição de Zacarias Ursinus sobre a questão 19 no seu "Commentary on the Heidelberg Catechism," pp. 101-106 ( G.W. Williard, Columbus OH, 1852; reprinted by P & R).
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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Como Irei a Deus? - Parte 1



É com nossos pecados que nos achegamos a Deus, pois não podemos nos apresentar a Ele com qualquer outra coisa que seja realmente nossa. Essa é uma das lições que aprendemos com lentidão. Mas, sem termos aprendido a mesma, não poderemos dar um só passo correto naquilo que chamamos de vida religiosa.

Rebuscar coisa boa em nossa vida passada, ou apelar para algo de bom no presente, se descobrirmos que o nosso passado nada contém de positivo, é nosso primeiro pensamento quando começamos a procurar resolver a grande questão pendente entre Deus e nós - o perdão de nossos pecados. No favor de Deus há vida (Salmo 30:5), e estar sem o favor divino é sentir-se infeliz neste mundo, é não desfrutar de alegria no mundo por vir. Não há vida digna de ser chamada de vida, exceto aquela que flui de Sua amizade infalível. Sem essa amizade, nossa vida aqui é um fardo e uma canseira. Nessa amizade, porém, não há qualquer mal, e toda a tristeza torna-se uma alegria.

"Como poderei ser feliz?" foi a pergunta de uma alma cansada que já experimentara cem maneiras diversas de obter a felicidade, mas sempre falhara.

"Obtenha o favor de Deus", foi a resposta imediata de alguém que já havia provado pessoalmente que "o Senhor é bondoso" (1 Pedro 2:3).

"Não haverá outra maneira de alguém ser feliz?"

"Nenhuma!" foi a pronta e decidida resposta- "O homem vem buscando algum outro caminho para a felicidade por seis mil anos, e tem fracassado totalmente. E você obteria sucesso?"







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